
O que é a SAJM?
Em 21 de novembro de 2017, Monsenhor Christian Jean Michel Faure promulgou os estatutos definitivos da SAJM, sociedade sacerdotal de vida comum sem votos.
Ao fazer isso, Monsenhor desejava apenas continuar a obra de Monsenhor Lefebvre: a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a fim de poder dizer também o que Monsenhor desejava ver gravado em seu túmulo:
Tradidi quod et accepi.
Por que foi necessário fundar a SAJM?
Por que foi necessário separar-se da FSSPX e fundar uma sociedade — não nova nem diferente, mas outra — para continuar a obra de Monsenhor Lefebvre?
Infelizmente, os sucessores de Monsenhor Lefebvre se afastaram da linha de conduta que ele lhes havia dado em vários pontos fundamentais:
- As relações com as autoridades conciliares. Dom Lefebvre havia estabelecido claramente que não poderia haver acordo prático antes de um acordo doutrinário. Em outras palavras, era preciso esperar que as autoridades conciliares se convertessem antes de se colocar nas mãos delas.
- A distinção entre Igreja Católica e Igreja conciliar.
- A dúvida sobre a validade dos sacramentos administrados pelos prelados da Igreja conciliar. Essa dúvida surge devido à intenção sacramental. Por esse motivo, Mons. Lefebvre reordenava os sacerdotes ordenados no novo rito antes de enviá-los aos fiéis, para não correr qualquer risco quanto à validade dos sacramentos administrados às almas.
Este foi também o principal argumento que o levou a consagrar quatro bispos sem mandato pontifício:
“Vocês sabem bem, meus queridos irmãos, que não pode haver padres sem bispo. Todos estes seminaristas que aqui estão presentes, se amanhã o Bom Deus me chamar – e isso será sem dúvida em breve –, de quem receberão o sacramento da ordem? Dos bispos conciliares, cujos sacramentos são todos duvidosos, porque não se sabe exatamente quais são as suas intenções. Isso não é possível.”
— Homilia da Missa das Consagrações, 1988
- A rejeição do novo Código de Direito Canônico (exceto as decisões disciplinares).
Em todos esses pontos, a FSSPX possui atualmente uma nova maneira de agir.
A SAJM e a chamada “Resistência”
Poderíamos então nos associar ao que se costuma chamar de Resistência? É inegável que Mons. Faure recebeu o episcopado de Sua Excelência Mons. Williamson.
Contudo, existem diferenças importantes.
A Declaração de Dom Marcel Lefebvre de 21 de novembro de 1974 é a carta fundamental de nossa resistência: uma declaração de fidelidade às posições da Fraternidade e o regulamento prático dessa fidelidade. No entanto, vários padres da chamada Resistência se afastaram dela.
Nessa declaração, Monsenhor exigia que o candidato ao diaconato se comprometesse com três pontos:
- Rezar publicamente pelo Papa reinante;
- Mencioná-lo no cânon da Missa (una cum papa nostro…);
- Aceitar a liturgia de 1962.
Dom Lefebvre jamais ordenou seminaristas sem que estivessem integrados em uma estrutura. Ele não desejava formar sacerdotes independentes.
Entretanto, vários padres ou bispos da chamada Resistência julgam não dever seguir Monsenhor nesses pontos.
Nosso princípio
O que nos motiva não é a luta contra esta ou aquela sociedade sacerdotal ou religiosa, mas permanecer fiéis à Igreja de sempre.
Essa fidelidade, na prática, concretiza-se seguindo o exemplo e a luta de Dom Lefebvre, que a Providência suscitou como guia para nos mantermos fiéis.
Só teremos verdadeira credibilidade na medida em que formos fiéis ao pensamento e ao legado de Dom Lefebvre — à sua luta e ao seu espírito.
O que os fiéis esperam de nós é simples: que continuemos a operação de sobrevivência iniciada por Dom Lefebvre.
Que Nossa Senhora nos ajude a ser integralmente fiéis ao legado que ele nos deixou.
P. Brocard
- 05.03.2026