Mgr Marcel Lefebvre Seminary
SAJM

A Palavra do Diretor – Eu acredito na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica – #02

Caros fiéis,

Pela graça de Deus, acolhemos nove jovens no seminário. Confiamos esses nove seminaristas às suas orações: eles serão os seus padres do futuro, aqueles que casarão seus filhos, virão a batizar seus netos e a lhes dar o conforto supremo na hora em que Deus os chamar para junto de Si.

Para compreender melhor o mistério do sacerdócio e a missão do padre no plano redentor do Salvador, é preciso situá-lo no mistério que é a Santa Igreja. É por isso que as próximas “palavras do diretor” serão dedicadas à nossa mãe, a Santa Igreja.

As heresias atacam sucessivamente os diferentes dogmas da nossa fé. Hoje, é a Igreja que se encontra mais especialmente atacada pelo modernismo, esse esgoto coletor de todas as heresias. Os modernistas, com o seu ecumenismo, negam que exista uma única Igreja que detém a verdade e pode conduzir-nos a Deus; e com a sua colegialidade, atacam a própria constituição da Igreja. Devemos, portanto, estudar mais atentamente este mistério da nossa fé.

O tratado sobre a Igreja está dividido em duas partes:

– Uma é apologética, provando que Jesus Cristo fundou uma Igreja para continuar a sua tripla missão de ensino, governo e santificação.

– A outra é dogmática e trata da constituição monárquica da Igreja, dos seus três atributos: autoridade, infalibilidade, indefectibilidade, e das suas quatro notas: uma, santa, católica, apostólica.

Como já temos a fé, vamos concentrar-nos na parte dogmática, a fim de aprofundá-la. Vamos perguntar-nos o que a Igreja, fundada por Cristo, ensina sobre si mesma, sobre a sua constituição interna, sobre as suas notas e sobre os seus atributos.

Comecemos por ver o desenvolvimento progressivo da Igreja ao longo da história e, em seguida, a sua constituição.

I] Desenvolvimento progressivo da Igreja ao longo da história

1) A Igreja patriarcal

Desde o Antigo Testamento, a verdadeira Igreja já existia como depositária e guardiã da revelação primitiva, abrangendo todos os fiéis entre os pagãos desde o início do mundo até Cristo.

Imediatamente após a queda, com a promessa de restauração feita a Adão e Eva, a Igreja patriarcal foi estabelecida. Nesse estado patriarcal, os fiéis estavam unidos entre si: 1) pela profissão da verdadeira fé (a Revelação começou com o que Deus ensinou a Adão); 2) pela oferta de sacrifícios (desde Caim e Abel, vemos os homens oferecerem sacrifícios a Deus); 3) pelo culto interior e exterior do verdadeiro Deus, exercido pelos patriarcas, que foram investidos do sacerdócio para oferecer sacrifícios ao Deus altíssimo e ensinar a Revelação primitiva.

2) A Igreja “mosaica”

A Igreja “mosaica”, fundada apenas para os judeus, era mais expressiva e mais perfeita do que a Igreja “patriarcal”, pois, graças à revelação feita sucessivamente a Moisés e aos profetas, a) os dogmas e os mistérios eram manifestados mais claramente, b) o culto a Deus tornou-se mais preciso, c) foram instituídos sacerdotes e profetas para exercer a tripla função de ensino, culto e governo.

3) A Igreja Católica

A Igreja do Novo Testamento difere especificamente da do Antigo Testamento. Nosso Senhor fundou uma Igreja cujos dogmas são mais claros e completos, cujo culto é mais puro, cujos sacramentos são mais eficazes, cujo magistério é infalível e mais claro.

Nosso Senhor fundou a sua Igreja em três etapas: no início da sua pregação, Nosso Senhor anunciou que o Reino de Deus se aproximava. Antes da sua morte, preparou o futuro próximo e começou a instituição da Igreja (dogmas, sacramentos, escolha dos doze e instituição da primazia). Depois, após a sua ressurreição, aperfeiçoou-a.

No Pentecostes, ela foi promulgada aos judeus; por volta do ano 41, foi promulgada aos gentios (Cornélio, depois Paulo e Barnabé enviados em missão); e, finalmente, com o Concílio de Jerusalém, a fronteira com o judaísmo foi solenemente destruída.

II] Constituição da Igreja Católica

Quando falamos de algo, a primeira coisa a considerar é o seu objetivo e a sua constituição.

Portanto, as primeiras perguntas que devemos responder sobre a Igreja são as seguintes:

1- Por que Jesus quis estabelecer uma Igreja?

2- Qual é a constituição da Igreja?

1) Por que Jesus quis estabelecer uma Igreja?

Para salvar a humanidade, Deus Pai enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para 1) nos ensinar a doutrina em que devemos acreditar e a moral que devemos seguir para sermos salvos, 2) nos dirigir, governar e guiar neste caminho difícil e cheio de obstáculos, e 3) nos dar os sacramentos, fonte das graças de que precisamos para fazer o bem e evitar o mal.

Como Rei, Jesus pode nos dirigir e governar; como Profeta escolhido e enviado por Deus, ele pode nos ensinar; e como Sumo Sacerdote, ele pode nos santificar.

Mas no dia da Ascensão, Jesus subiu ao céu.

Ele deixou na terra uma instituição, conforme à natureza humana, capaz de continuar a sua tripla missão de pregar, governar e santificar.

Jesus instituiu, portanto, a Santa Igreja, com este triplo poder de governar (é o que se chama jurisdição), ensinar (é o magistério) e santificar, administrando os sacramentos (o sacramento da Ordem).

Dissemos que isso estava em conformidade com a natureza humana: o homem não foi feito para viver isolado; ele é um ser social. E a sociedade implica uma hierarquia e um comando, como testemunha de toda a história da humanidade. Os comunistas que quiseram provar o contrário fizeram milhões de vítimas, para acabar por construir a tirania mais terrível que a história humana jamais conheceu.

É por isso que, para continuar a sua missão de santificação, Jesus fundou uma instituição hierárquica.

2) Qual é a constituição da Igreja?

A Igreja é uma monarquia, mas de um tipo particular, pois o seu chefe não é um rei, mas o vigário do rei (que é Jesus Cristo). Embora o poder do papa seja limitado pelas leis fundamentais dadas por Nosso Senhor, e embora os bispos sejam príncipes subordinados dotados de um poder de origem divina (acredita-se geralmente que a sua jurisdição lhes é dada pelo papa), pode-se dizer que se trata de uma monarquia absoluta, pois o que limita o poder do papa são as leis dadas por Cristo e não pela própria Igreja, e os bispos não limitam o poder do papa sobre a Igreja universal.

Vamos provar duas teses e tirar as consequências para a nossa vida espiritual.

  1. a) Nosso Senhor quis distinguir na Igreja os clérigos e os leigos e, dentro da ordem clerical, instituiu uma verdadeira hierarquia, composta por bispos, padres e ministros.

Para continuar a sua missão, Nosso Senhor:

– Escolheu os seus apóstolos: “Subiu ao monte e chamou aqueles que quis, e eles vieram ter com ele. Designou doze para estarem com ele e para serem enviados a pregar com o poder de expulsar demónios.” Mc 3, 13 + “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e recebestes a missão de ir dar frutos, frutos que permanecem.” Jo 15, 16;

– Ensina-os: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que aprendi do meu Pai.” Jo 15, 15;

– Os envia como ele mesmo foi enviado pelo Pai: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio.” Jo 20, 21 + “Depois disso, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois à sua frente a todas as cidades e lugares onde ele mesmo devia ir. Ele lhes disse: ‘A messe é abundante, mas poucos são os operários. Rogai, pois, ao senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe.’” Lc 10, 2;

– Indicam o batismo como o meio pelo qual os futuros crentes serão incorporados ao Corpo da Igreja: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” Marcos 13, 16;

– E, finalmente, ordená-los sacerdotes: “Então tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, dado por vós; fazei isto em memória de mim.’” Lucas 22, 19.

O Papa Pio XII resume isso na sua encíclica Mystici Corporis:

“Em virtude da sua ordem, os homens são consagrados ao serviço de Deus, encarregados de oferecer a hóstia eucarística, de alimentar o rebanho dos fiéis com o pão dos anjos e o alimento da doutrina, de os guiar pelos mandamentos de Deus e pelos seus próprios conselhos e, finalmente, de os fortalecer com outros dons sobrenaturais.”

Conclusão: se Nosso Senhor escolheu e continua a escolher aqueles que Ele quer enviar para nos guiar, pregar e santificar, não nos intrometemos numa função para a qual não fomos escolhidos. Cuidado para não nos darmos a missão de propagar a nossa visão da crise ao mundo inteiro através da internet.

  1. b) O governo da Igreja é uma verdadeira monarquia, simples e absoluta, instituída por Cristo Senhor.

Nosso Senhor estabeleceu como mestres, guias e agentes de santidade na assembleia dos fiéis, um único Chefe que é o seu Vigário na terra: “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 18).

– Um único Pastor encarregado de apascentar todo o rebanho, incluindo os bispos: “Quando terminaram de comer, Jesus disse a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?’ Ele respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo.’ Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhas.’ Ele perguntou-lhe pela segunda vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’ Ele respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo.’ Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhas.’ Ele disse-lhe pela terceira vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’ Pedro ficou triste por ele lhe ter perguntado pela terceira vez: ‘Amas-me?’ E respondeu-lhe: ‘Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo.’ Jesus disse-lhe: ‘Apascenta as minhas ovelhas.’” Jo 21, 15.

O Papa Pio IX, na sua encíclica Pastor Aeternus, retomando a doutrina do Papa São Leão Magno, resume assim: “Para que o episcopado seja uno e indivisível, e para que, pela estreita e mútua união dos pontífices, toda a multidão dos fiéis seja preservada na unidade da fé e da comunhão, colocou o bem-aventurado Pedro acima dos outros apóstolos e estabeleceu nele o princípio duradouro e o fundamento visível dessa dupla unidade. Sobre a sua solidez seria construído o templo eterno, e sobre a firmeza dessa fé se ergueria a Igreja, cuja grandeza alcançaria os céus.”

3) Conclusão prática para nós

Chegamos agora à definição da Igreja:

A Igreja é a assembleia de todos aqueles que professam a fé em Cristo, participam nos mesmos sacramentos e são governados pelos seus legítimos pastores sob uma única autoridade visível.

Se Nosso Senhor quis uma distinção e uma hierarquia, devemos respeitá-la. Isso significa rezar pela hierarquia e obedecer-lhe.

–                Rezar por ela, em primeiro lugar. Rezemos pelas vocações, rezemos pelos seminaristas, rezemos pelos sacerdotes. Acima de tudo, rezamos pelo papa. Devemos estar convencidos de que só um papa santo pode pôr fim a esta crise da Igreja e, por isso, pedir esta graça com todas as nossas forças, com todo o nosso coração. Não estamos suficientemente convencidos, tão chocados com os excessos a que as autoridades modernistas nos habituaram. No entanto, estejamos convencidos de que Deus respeitará a sua sabedoria, Ele que instituiu uma Igreja com um papa, Ele passará por ele para restaurar a sua Igreja: Mas eu orei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos. Lc 22, 32

–                E submeter-nos à sua autoridade. O divino Salvador foi suficientemente claro no Santo Evangelho: Quando não vos receberem e não ouvirem as vossas palavras, saiam dessa casa ou dessa cidade e sacudam o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo: no dia do juízo, o país de Sodoma e Gomorra será tratado com menos rigor do que essa cidade. (…) Quem vos recebe, recebe-me; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Mateus 10. Quem vos ouve, ouve-me; e quem vos rejeita, rejeita-me; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. Lucas 10, 16.

É claro que, devido à crise da Igreja e ao modernismo que contaminou todos os graus da hierarquia, isso se torna muito difícil. Veremos qual atitude devemos adotar para seguir o espírito da Igreja. Notemos apenas que ignorar toda autoridade na Igreja sob o pretexto da crise nos levará infalivelmente ao inferno.

† P. Brocard

 

  • 12.03.2026
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