
Queridos amigos e benfeitores,
Façamos um pequeno parêntese em nossa exposição sobre o mistério da Igreja, a fim de responder a uma pergunta que nos foi feita após o nosso primeiro comunicado (apresentação da SAJM): a SAJM está deixando a Resistência?
Este primeiro texto, feito para apresentar o seminário da SAJM do Brasil aos brasileiros, teve uma divulgação fora do Brasil que eu não esperava e que estava longe de procurar. O que me obriga a publicar esta resposta em português, francês e inglês.
Para responder a essa pergunta, seria necessário primeiro conseguir definir o que se costuma chamar de Resistência
Ora, ao nosso conhecimento, nenhuma carta dogmática para assinatura foi apresentada aos padres para que pudessem fazer parte oficialmente desse movimento. Nada de positivo. A única coisa que parece ser o denominador comum é a oposição à FSSPX desde a sua tentativa de “reconciliação” à Roma conciliar, em 2012. Algo negativo; que se define não por princípios a serem seguidos, mas por uma oposição.
Nos últimos sete anos do meu apostolado, passei por muitos outros países além da França e tive a oportunidade de encontrar ou ouvir falar de padres que se opuseram, em 2012 (ou depois), a essa tentativa de “reconciliação” da FSSPX, mas para depois se aproximarem do sedevacantismo, chegando a pedir (alguns deles) que bispos sedevacantistas os consagrem. E continuavam a se autodenominar da Resistência, alguns indo ao ponto de se dizerem ou se fazerem chamar de: a única verdadeira resistência;.
Então, se me perguntam: o senhor se distingue desses resistentes? Minha resposta é clara: sim, absolutamente, e tanto quanto Dom Lefebvre nos mostrou o exemplo em sua vida.
Agora, se me perguntarem se eu não colaboraria com padres que se opuseram à adesão da FSSPX e que, por isso, sofreram muito, responderei de forma igualmente imediata e clara que seria uma honra para mim colaborar no apostolado com esses caros confrades, modelos e guias nesta batalha, desde que sejam fiéis ao legado que Dom Lefebvre nos deixou.
A finalidade daquela apresentação — que, recordo, era destinada aos brasileiros — era evitar que qualificassem o seminário do qual recebi o encargo como seminário da Resistência, pelas razões expostas acima.
Monsenhor Faure, superior da SAJM, pediu-me que assumisse a direção do seminário que Monsenhor Tomás de Aquino nos confiou. Trata-se, portanto, de um seminário da SAJM, que não se define pela sua oposição à FSSPX, mas pela sua fidelidade a Monsenhor Lefebvre.
Esperando que esta pequena palavra tenha esclarecido as dúvidas, desejo a todos uma boa Semana Santa e uma santa Festa de Páscoa.
† P. Brocard
- 01.04.2026