“Temos, pois, que buscar o verdadeiro bem do nosso próximo, se é que o amamos, e é isso que constitui o sacerdote fiel. O sacerdote não é um homem que busca sua popularidade, nem elogios, nem agradar aos homens. Como diz São Paulo: “Se eu buscasse agradar aos homens, não agradaria a Deus” (cf. Gálatas 1,10). Pois bem, o sacerdote nem sempre agrada aos homens, uma vez que lhes recorda a verdade, mas ele os ama e procura levá-los a Deus. Esta é a verdadeira amizade e o verdadeiro amor ao próximo.
O sacerdote é essencialmente e por definição aquele que se entrega. E o é na prática da vida diária. “O sacerdote — como diz o Padre Chevrier — deve ser um homem consumido.” Ele se entrega como a Eucaristia e como o próprio Nosso Senhor. Entrega seu tempo, seu suor, sua ciência, seu dinheiro e suas forças físicas.
O sacerdote é o homem que se esquece de si mesmo para pensar apenas no bem que deve ser feito, nas almas que necessitam de seus cuidados e na prática da caridade fraterna. Portanto, o sacerdote é caridade.
A grande virtude do sacerdote é a caridade. À medida que desaparecem nosso egoísmo e nosso orgulho, vamos nos tornando verdadeiramente caridade. Não temos senão uma única finalidade: ver reinar Nosso Senhor. Portanto, nosso único ideal é amá-lo, particularmente na oferta do santo Sacrifício da Missa, unir-nos a Ele com toda a nossa alma e com todo o nosso coração, e descer do altar animados pelo desejo de fazer tudo o que pudermos para que também as almas experimentem a alegria de conhecer Nosso Senhor e de estar unidas a Ele.
O sacerdote deve ter um coração misericordioso. É a verdadeira prudência e a verdadeira sabedoria, que correspondem à bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (São Mateus 5,7). Tal é a razão pela qual Santo Tomás diz que a misericórdia é a bem-aventurança que corresponde à prudência” (A Santidade Sacerdotal, Dom Marcel Lefebvre).